{"id":1919,"date":"2026-09-30T07:28:14","date_gmt":"2026-09-30T10:28:14","guid":{"rendered":"https:\/\/g100.com.br\/?p=1919"},"modified":"2026-09-30T07:28:14","modified_gmt":"2026-09-30T10:28:14","slug":"cientistas-do-brasil-e-do-exterior-se-unem-para-dar-voz-a-ciencia-no-debate-sobre-o-abate-de-jumentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/2026\/09\/30\/cientistas-do-brasil-e-do-exterior-se-unem-para-dar-voz-a-ciencia-no-debate-sobre-o-abate-de-jumentos\/","title":{"rendered":"Cientistas do Brasil e do exterior se unem para dar voz \u00e0 ci\u00eancia no debate sobre o abate de jumentos"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Especialistas brasileiros e internacionais publicar\u00e3o v\u00eddeos simultaneamente em 30 de setembro para alertar sobre os riscos sanit\u00e1rios e reputacionais e a poss\u00edvel perda de patrim\u00f4nio gen\u00e9tico associada ao com\u00e9rcio de peles de jumentos para a China<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas, m\u00e9dicos-veterin\u00e1rios, advogados e especialistas do Brasil e do exterior est\u00e3o preparando uma mobiliza\u00e7\u00e3o conjunta pelo fim do abate de jumentos no Brasil. Em 30 de setembro, cada participante publicar\u00e1 um v\u00eddeo em suas redes sociais abordando um aspecto diferente desse com\u00e9rcio, que envolve a captura dos animais, transporte por longas dist\u00e2ncias, confinamento, abate e exporta\u00e7\u00e3o de suas peles, principalmente para a China.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A campanha busca demonstrar que a explora\u00e7\u00e3o de jumentos n\u00e3o constitui um sistema de produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, mas um com\u00e9rcio extrativista que depende do esgotamento catastr\u00f3fico das popula\u00e7\u00f5es existentes. Os animais s\u00e3o capturados ou recolhidos em diferentes localidades do Nordeste brasileiro, muitas vezes sem informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis sobre sua origem, idade, condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade ou hist\u00f3rico sanit\u00e1rio, antes de serem reunidos em fazendas de confinamento e enviados para frigor\u00edficos. Sem reprodu\u00e7\u00e3o planejada ou reposi\u00e7\u00e3o do rebanho, o com\u00e9rcio esgota progressivamente as pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es das quais depende. Especialistas tamb\u00e9m apontam as limita\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas que tornam imposs\u00edvel uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel: os jumentos t\u00eam um per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o de aproximadamente 12 meses, baixa taxa reprodutiva e desenvolvimento mais lento do que esp\u00e9cies tradicionalmente criadas para produ\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados compilados por pesquisadores com base em informa\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e do Agrostat indicam que a popula\u00e7\u00e3o de jumentos no Brasil caiu 94% entre 1996 e 2024. Isso significa que, para cada 100 animais existentes no pa\u00eds h\u00e1 cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas, restam hoje apenas seis. Com o decl\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o de jumentos no Brasil, o pa\u00eds tamb\u00e9m corre o risco de perder parte de sua diversidade gen\u00e9tica e do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico dessas popula\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que restam menos animais dispon\u00edveis para reprodu\u00e7\u00e3o, caracter\u00edsticas desenvolvidas ao longo de gera\u00e7\u00f5es podem desaparecer, comprometendo a conserva\u00e7\u00e3o e a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es brasileiras de jumentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Com\u00e9rcio de peles<\/strong> \u2014 As peles s\u00e3o utilizadas na fabrica\u00e7\u00e3o do <em>ejiao<\/em>, produto da medicina tradicional chinesa produzido a partir do col\u00e1geno extra\u00eddo da pele de jumentos. O crescimento da demanda internacional por <em>ejiao<\/em> levou esse com\u00e9rcio a buscar animais em diferentes pa\u00edses, pressionando as popula\u00e7\u00f5es locais. Em 2024, os 55 pa\u00edses da Uni\u00e3o Africana aprovaram uma morat\u00f3ria de 15 anos proibindo o abate de jumentos para o com\u00e9rcio de peles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Janneke Merkx, gerente de Campanhas da organiza\u00e7\u00e3o internacional The Donkey Sanctuary, o que acontece no Brasil faz parte de uma crise global. \u201cOs jumentos sustentam os meios de vida de milh\u00f5es de pessoas em diversas partes do mundo, mas agora enfrentam uma crise. Milh\u00f5es de animais s\u00e3o abatidos todos os anos para atender \u00e0 demanda por <em>ejiao<\/em>. As popula\u00e7\u00f5es nacionais despencaram em diversos pa\u00edses, incluindo o Brasil. Precisamos agir antes que seja tarde demais\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora Emily Reeves chama aten\u00e7\u00e3o para o sofrimento imposto aos animais em todas as etapas do com\u00e9rcio. \u201cOs jumentos sofrem desde o momento em que s\u00e3o capturados, passando pelo transporte e confinamento, at\u00e9 o abate. Muitos ficam sem \u00e1gua ou alimento enquanto aguardam a morte, tudo para que suas peles possam ser retiradas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cProduzir peles em escala suficiente para atender \u00e0 demanda chinesa \u00e9 invi\u00e1vel devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, como o longo per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o e a baixa produtividade. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 agrega\u00e7\u00e3o significativa de valor no Brasil, j\u00e1 que a maior parte dos ganhos econ\u00f4micos ocorre no exterior\u201d, explica Roberto Arruda de Souza Lima, professor associado da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq\/USP), respons\u00e1vel por um estudo sobre a viabilidade econ\u00f4mica da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contraposi\u00e7\u00e3o ao abate, pesquisadores brasileiros est\u00e3o desenvolvendo uma alternativa capaz de produzir col\u00e1geno de jumento sem matar os animais. A proposta utiliza fermenta\u00e7\u00e3o de precis\u00e3o, processo no qual a sequ\u00eancia de DNA respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de col\u00e1geno \u00e9 inserida em microrganismos, como leveduras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 poss\u00edvel utilizar apenas a sequ\u00eancia do DNA do jumento que codifica o col\u00e1geno e inseri-la em uma levedura. \u00c0 medida que o microrganismo se multiplica e produz suas pr\u00f3prias prote\u00ednas, ele tamb\u00e9m passa a produzir col\u00e1geno exatamente como \u00e9 produzido no organismo do animal\u201d, explica Carla Forte Maiolino Molento, professora da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e coordenadora da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema extrativista tamb\u00e9m desperta preocupa\u00e7\u00e3o entre especialistas em sa\u00fade animal e Sa\u00fade \u00danica (<em>One Health<\/em>). Essa abordagem reconhece a interconex\u00e3o entre a sa\u00fade humana, animal e ambiental. A captura e o transporte de animais sem rastreabilidade ou diagn\u00f3stico adequado podem facilitar a circula\u00e7\u00e3o de agentes causadores de doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marcelo Beltr\u00e3o Molento, professor da UFPR e especialista em parasitologia veterin\u00e1ria, alerta que a aus\u00eancia de testes exp\u00f5e tanto os animais quanto os trabalhadores a riscos. \u201cOs animais s\u00e3o capturados sem os cuidados necess\u00e1rios e sem uma avalia\u00e7\u00e3o adequada da presen\u00e7a de pat\u00f3genos. Isso representa um risco tanto para os jumentos, que podem disseminar esses agentes para outros ambientes, quanto para as pessoas que os manipulam. Trabalhadores de frigor\u00edficos entram em contato com sangue, v\u00edsceras, secre\u00e7\u00f5es e aeross\u00f3is potencialmente contaminados\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica-veterin\u00e1ria V\u00e2nia de F\u00e1tima Plaza Nunes, diretora t\u00e9cnica do F\u00f3rum Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Animal, questiona a forma como as normas sanit\u00e1rias v\u00eam sendo aplicadas. \u201cO que temos visto \u00e9 a instrumentaliza\u00e7\u00e3o das normas t\u00e9cnicas do Minist\u00e9rio da Agricultura e dos servi\u00e7os estaduais de defesa sanit\u00e1ria animal para atender a uma demanda question\u00e1vel. Muitas doen\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o sendo investigadas, e at\u00e9 mesmo doen\u00e7as tradicionalmente monitoradas em equ\u00eddeos est\u00e3o sendo negligenciadas. Isso cria um cen\u00e1rio de inseguran\u00e7a, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s doen\u00e7as espec\u00edficas da esp\u00e9cie quanto \u00e0s zoonoses\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das doen\u00e7as que despertam preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o mormo, doen\u00e7a infecciosa que afeta equ\u00eddeos e pode ser transmitida aos seres humanos. Segundo especialistas, a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre a origem e a movimenta\u00e7\u00e3o dos animais impede uma avalia\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel dos riscos presentes na carne, nas peles e no ambiente de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O m\u00e9dico-veterin\u00e1rio e epidemiologista Jos\u00e9 Roberto Pinho de Andrade Lima tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o por res\u00edduos qu\u00edmicos. Estudos realizados em outros pa\u00edses encontraram metais pesados, como chumbo e ars\u00eanio, nos tecidos de jumentos ap\u00f3s exposi\u00e7\u00e3o ao longo da vida a \u00e1reas contaminadas, estradas e locais de descarte de res\u00edduos. No entanto, ainda n\u00e3o existem estudos suficientes para determinar a presen\u00e7a e a concentra\u00e7\u00e3o dessas subst\u00e2ncias nos animais abatidos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEstamos exportando produtos originados de animais sobre os quais n\u00e3o existem informa\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias ou rastreabilidade antes de sua chegada \u00e0s fazendas de confinamento. Isso envolve riscos microbiol\u00f3gicos, qu\u00edmicos e epidemiol\u00f3gicos que ainda s\u00e3o desconhecidos\u201d, afirma Lima. \u201cAl\u00e9m do potencial impacto sobre os consumidores, existe um risco reputacional significativo para o Brasil, porque o Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Federal certifica um produto cuja origem e hist\u00f3rico sanit\u00e1rio s\u00e3o desconhecidos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador, a limitada relev\u00e2ncia econ\u00f4mica dessas exporta\u00e7\u00f5es n\u00e3o justifica colocar em risco a credibilidade constru\u00edda pelo sistema brasileiro de inspe\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e de alimentos. \u201cO pa\u00eds \u00e9 reconhecido internacionalmente por seus sistemas de produ\u00e7\u00e3o e inspe\u00e7\u00e3o de alimentos. N\u00e3o podemos permitir que uma atividade economicamente insignificante comprometa a confian\u00e7a constru\u00edda ao longo de d\u00e9cadas por m\u00e9dicos-veterin\u00e1rios, agr\u00f4nomos, t\u00e9cnicos e cientistas\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora Chiara Albano de Ara\u00fajo Oliveira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), considera que a participa\u00e7\u00e3o da comunidade acad\u00eamica \u00e9 fundamental para melhorar a qualidade do debate p\u00fablico. \u201cA ci\u00eancia faz diferen\u00e7a quando transforma uma demanda em evid\u00eancias que podem ser verificadas. N\u00e3o estamos falando apenas de n\u00fameros, mas de pesquisas capazes de demonstrar a relev\u00e2ncia e a urg\u00eancia dessa quest\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica-veterin\u00e1ria B\u00e1rbara Goloubeff enfatiza a import\u00e2ncia hist\u00f3rica e cultural do jumento nordestino. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio proteger esse animal e reconhecer a popula\u00e7\u00e3o desenvolvida no Brasil como parte do patrim\u00f4nio nacional do pa\u00eds. Os jumentos est\u00e3o presentes em nossa hist\u00f3ria h\u00e1 cerca de cinco s\u00e9culos. Depois de todo esse tempo de adapta\u00e7\u00e3o a este territ\u00f3rio, n\u00e3o podemos continuar tratando-os simplesmente como animais ex\u00f3ticos e descart\u00e1veis\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Gislane Brand\u00e3o, coordenadora-geral da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, o abate tamb\u00e9m prejudica a identidade cultural do Nordeste brasileiro e a rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica estabelecida entre esses animais e as comunidades locais. \u201cEsperamos que esse abate chegue ao fim porque proibi-lo \u00e9 justo, legal e \u00e9tico \u2014 e reflete o que o povo brasileiro deseja, ao reconhecer a import\u00e2ncia desse animal\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO valor cultural do jumento \u00e9 muito maior do que o benef\u00edcio econ\u00f4mico gerado pelo abate desses animais para abastecer o mercado de peles\u201d, acrescenta Adroaldo Zanella, m\u00e9dico-veterin\u00e1rio, PhD em Bem-Estar Animal pela Universidade de Cambridge e professor da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O advogado Yuri Fernandes Lima, coordenador jur\u00eddico da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, destaca que a Justi\u00e7a Federal na Bahia j\u00e1 reconheceu a incompatibilidade da atividade com a legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Em decis\u00e3o proferida em 13 de abril de 2026, a 1\u00aa Vara Federal da Se\u00e7\u00e3o Judici\u00e1ria da Bahia determinou a proibi\u00e7\u00e3o do abate de jumentos, mulas e bardotos no estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Justi\u00e7a acolheu o pedido apresentado em uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica. A decis\u00e3o reconheceu que essa atividade viola a Constitui\u00e7\u00e3o Federal e a Lei de Crimes Ambientais e, portanto, deve ser proibida\u201d, afirma Lima. A decis\u00e3o ainda pode ser contestada por meio de recursos, raz\u00e3o pela qual as organiza\u00e7\u00f5es defendem a aprova\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Patricia Tatemoto, doutora em Ci\u00eancias e consultora de Campanhas da The Donkey Sanctuary, afirma que o Congresso precisa agir antes que o decl\u00ednio populacional se torne irrevers\u00edvel. \u201cNo Brasil, existem propostas legislativas capazes de p\u00f4r fim a essa atividade. Os tomadores de decis\u00e3o precisam priorizar a aprecia\u00e7\u00e3o desses projetos para que a proibi\u00e7\u00e3o possa ser consolidada\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na C\u00e2mara dos Deputados, o Projeto de Lei 2.387\/2022, que proibiria o abate de equ\u00eddeos para produ\u00e7\u00e3o de carne e a exporta\u00e7\u00e3o de seus produtos, est\u00e1 pronto para ser inclu\u00eddo na pauta da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania desde 2023. <a href=\"https:\/\/www.trf1.jus.br\/sjba\/noticias\/1-vara-federal-da-sjba-proibe-abate-de-jumentos-apos-comprovacao-de-maus-tratos-e-risco-de-extincao-da-especie\">No Senado, o Projeto de Lei 2.613\/2026 prop\u00f5e uma proibi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do abate de jumentos em todo o territ\u00f3rio nacional<\/a>, exceto quando necess\u00e1rio para o controle sanit\u00e1rio de zoonoses ou outras doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a publica\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea dos v\u00eddeos em 30 de setembro, os participantes pretendem ampliar o acesso \u00e0s evid\u00eancias cient\u00edficas, jur\u00eddicas, econ\u00f4micas e sanit\u00e1rias j\u00e1 produzidas sobre o tema. A mobiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pedir\u00e1 \u00e0s autoridades p\u00fablicas que adotem medidas para proteger os animais remanescentes, promovam alternativas econ\u00f4micas sustent\u00e1veis e impe\u00e7am que o Brasil perca uma popula\u00e7\u00e3o adaptada ao Semi\u00e1rido e profundamente ligada \u00e0 pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e cultural do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem participa da mobiliza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Roberto Arruda de Souza Lima<\/strong> \u2014 Professor associado do Departamento de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Sociologia da Esalq\/USP. Atua nas \u00e1reas de economia e finan\u00e7as agr\u00edcolas e \u00e9 respons\u00e1vel pelo estudo \u201cViabilidade Econ\u00f4mica do Abate de Jumentos na Bahia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Yuri Fernandes Lima<\/strong> \u2014 Advogado animalista, professor e pesquisador em Direito Animal. Doutor em Direito pela UFPR e mestre em Direito pela UFBA. \u00c9 coordenador jur\u00eddico da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos e coautor de estudos sobre o com\u00e9rcio de peles e sua incompatibilidade com a legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marcelo Beltr\u00e3o Molento<\/strong> \u2014 M\u00e9dico-veterin\u00e1rio, professor da UFPR e pesquisador do Laborat\u00f3rio de Parasitologia Cl\u00ednica Veterin\u00e1ria. Atua nas \u00e1reas de parasitologia, sa\u00fade animal e Sa\u00fade \u00danica e \u00e9 autor de estudos sobre avalia\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e controle de parasitas em jumentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>V\u00e2nia de F\u00e1tima Plaza Nunes<\/strong> \u2014 M\u00e9dica-veterin\u00e1ria e diretora t\u00e9cnica do F\u00f3rum Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Animal. Possui forma\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia profissional em sa\u00fade p\u00fablica, vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria, sa\u00fade ambiental, bem-estar animal e medicina veterin\u00e1ria comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Patricia Tatemoto<\/strong> \u2014 Bi\u00f3loga, doutora em Ci\u00eancias com \u00eanfase em Medicina Veterin\u00e1ria Preventiva e Sa\u00fade Animal pela USP e consultora de Campanhas da The Donkey Sanctuary nas Am\u00e9ricas. Sua pesquisa concentra-se em bem-estar animal, biosseguran\u00e7a e nos impactos do com\u00e9rcio internacional de peles de jumentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gislane Brand\u00e3o<\/strong> \u2014 Advogada e coordenadora-geral da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos. Atua na defesa jur\u00eddica dos animais e integra a mobiliza\u00e7\u00e3o nacional contra o abate de jumentos e o com\u00e9rcio extrativista desses animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Janneke Merkx<\/strong> \u2014 Gerente de Campanhas da The Donkey Sanctuary. Integra desde 2018 a equipe da organiza\u00e7\u00e3o que atua no enfrentamento ao com\u00e9rcio internacional de peles de jumentos e lidera a\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 campanha no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Emily Kate Reeves<\/strong> \u2014 Consultora estrat\u00e9gica e pesquisadora vinculada \u00e0 The Donkey Sanctuary. \u00c9 coautora de estudos e relat\u00f3rios internacionais sobre o com\u00e9rcio de peles, bem-estar animal, biosseguran\u00e7a e conformidade com marcos legais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Carla Forte Maiolino Molento<\/strong> \u2014 M\u00e9dica-veterin\u00e1ria, professora de Bem-Estar Animal da UFPR e coordenadora dos laborat\u00f3rios de Bem-Estar Animal e Zootecnia Celular. Lidera pesquisas que buscam produzir col\u00e1geno de jumento por meio de fermenta\u00e7\u00e3o de precis\u00e3o, sem abate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Barbara Goloubeff<\/strong> \u2014 M\u00e9dica-veterin\u00e1ria, mestre em Medicina Veterin\u00e1ria e doutora em Ci\u00eancia Animal pela UFMG. Pesquisa equ\u00eddeos, comportamento, bem-estar animal e terapias veterin\u00e1rias e \u00e9 coautora de um estudo sobre o abate de equ\u00eddeos no Brasil e nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Chiara Albano de Ara\u00fajo Oliveira<\/strong> \u2014 M\u00e9dica-veterin\u00e1ria e professora da Escola de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da UFBA, com especializa\u00e7\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o de equinos. Coordena atividades de ensino, pesquisa e extens\u00e3o voltadas \u00e0 import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica e cultural dos jumentos no Nordeste brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Jos\u00e9 Roberto Pinho de Andrade Lima<\/strong> \u2014 M\u00e9dico-veterin\u00e1rio, epidemiologista e doutor em Sa\u00fade P\u00fablica pela UFBA. Realizou p\u00f3s-doutorado em Sa\u00fade Global e Ambiental, com foco em Sa\u00fade \u00danica, na Universidade da Fl\u00f3rida, e pesquisa os riscos sanit\u00e1rios e reputacionais associados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de jumentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Adroaldo Jos\u00e9 Zanella<\/strong> \u2014 M\u00e9dico-veterin\u00e1rio, PhD em Bem-Estar Animal pela Universidade de Cambridge e professor da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da USP. Coordena o Centro de Estudos Comparativos em Sa\u00fade, Sustentabilidade e Bem-Estar e desenvolve pesquisas sobre bem-estar animal e valoriza\u00e7\u00e3o dos jumentos. \u00c9 membro da Academia Brasileira de Medicina Veterin\u00e1ria.<em><br><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas brasileiros e internacionais publicar\u00e3o v\u00eddeos simultaneamente em 30 de setembro para alertar sobre os riscos sanit\u00e1rios e reputacionais e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1920,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,3],"tags":[],"class_list":["post-1919","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1919"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1919\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1921,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1919\/revisions\/1921"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1920"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}