{"id":1540,"date":"2026-07-09T18:11:54","date_gmt":"2026-07-09T21:11:54","guid":{"rendered":"https:\/\/g100.com.br\/?p=1540"},"modified":"2026-07-09T18:11:54","modified_gmt":"2026-07-09T21:11:54","slug":"joyce-ribeiro-faz-da-cidade-de-sao-goncalo-do-sapucai-um-mapa-de-causos-memorias-e-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/2026\/07\/09\/joyce-ribeiro-faz-da-cidade-de-sao-goncalo-do-sapucai-um-mapa-de-causos-memorias-e-arte\/","title":{"rendered":"Joyce Ribeiro faz da cidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed um mapa de causos, mem\u00f3rias e arte"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Foto: Joyce Ribeiro por Paulo libanio<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2020, Joyce Ribeiro estendeu uma faixa em uma rua de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed com a frase: <em>\u201cPensar nela, em oposi\u00e7\u00e3o a pensar em n\u00e3o pensar nela\u201d.<\/em>&nbsp;A a\u00e7\u00e3o aconteceu na Vila de F\u00e1tima, bairro onde a artista nasceu e viveu por 28 anos. Naquele per\u00edodo, Joyce caminhava pela cidade e anotava mem\u00f3rias que surgiam durante o trajeto. No dia seguinte, costurava essas lembran\u00e7as com fic\u00e7\u00e3o, escrita e novas imagens do territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frase da faixa, hoje uma das obras que integram a exposi\u00e7\u00e3o Rio Que Grita, marcou tamb\u00e9m uma decis\u00e3o: olhar novamente para a cidade de origem e transformar esse retorno em pesquisa art\u00edstica. A mostra ter\u00e1 abertura no dia 11 de julho de 2026, das 10h \u00e0s 13h, em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, no Sul de Minas Gerais, com programa\u00e7\u00e3o at\u00e9 9 de agosto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exposi\u00e7\u00e3o re\u00fane fotografia, v\u00eddeo, objeto, cer\u00e2mica, escrita, conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias e a\u00e7\u00f5es urbanas. As obras estar\u00e3o espalhadas por diferentes pontos da cidade, com oficinas, roda de conversa, ativa\u00e7\u00f5es de percurso e distribui\u00e7\u00e3o gratuita de mapas interativos. A mostra nasce do <em>Projeto Bageira<\/em>, pesquisa desenvolvida por Joyce ao longo dos \u00faltimos seis anos sobre os modos de rela\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00e3o e conv\u00edvio no interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artista, educadora e historiadora, Joyce apresenta sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual na cidade natal, ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de atua\u00e7\u00e3o entre S\u00e3o Paulo e Minas Gerais. Em sua produ\u00e7\u00e3o, causos caipiras, mem\u00f3rias orais, objetos do cotidiano e hist\u00f3rias locais entram em di\u00e1logo com a arte contempor\u00e2nea. \u201cN\u00e3o me interessa separar o que \u00e9 lembran\u00e7a, inven\u00e7\u00e3o ou hist\u00f3ria, mas compreender como essas dimens\u00f5es produzem juntas uma forma de conhecimento\u201d, afirma Joyce Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma artista entre dois territ\u00f3rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Joyce Ribeiro abriu seu primeiro ateli\u00ea aos 14 anos, em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, e come\u00e7ou a lecionar aos 17. Aos 28, mudou-se para S\u00e3o Paulo para estudar artes visuais. A passagem pela capital ampliou o contato com institui\u00e7\u00f5es, escolas e espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m mudou a forma como ela passou a olhar para a cidade de origem.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/profissaohoteleiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1024x517.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3815\" style=\"aspect-ratio:1.9807073954983923;width:560px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Acervo pessoal de Joyce Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs estruturas do sistema colonial s\u00e3o constru\u00eddas para que a gente reconhe\u00e7a o fora como centro, como desenvolvimento, e o peso desse deslocamento atravessa minha produ\u00e7\u00e3o de forma estrutural. Trata-se de uma mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 centro, margem e pertencimento\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao retornar para S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, a artista passou a olhar para a cidade com as ferramentas adquiridas no contato com a arte contempor\u00e2nea, mas tamb\u00e9m com perguntas que vinham da pr\u00f3pria experi\u00eancia de ter sa\u00eddo, estudado fora e voltado. A pesquisa nasce desse encontro entre forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mem\u00f3ria pessoal e vida no interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO interior passa a aparecer como um campo potente de produ\u00e7\u00e3o de sentido, com seus pr\u00f3prios modos de fazer, narrar e existir, onde a narrativa oral, o causo caipira, se afirmam como forma leg\u00edtima de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento, mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enrico Rocha, artista e analista, escreve no texto de apresenta\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o, que nesse movimento entre a cidade pequena e o maior centro urbano do pa\u00eds, Joyce descobriu que migrar tamb\u00e9m pode tornar algu\u00e9m estrangeiro no pr\u00f3prio lugar. Essa estranheza, segundo ele, tornou-se mat\u00e9ria de poesia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A \u00e1rvore que virou canoa<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/profissaohoteleiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-3-1024x472.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3818\" style=\"aspect-ratio:2.169589065731499;width:346px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">FOTO: Acervo pessoal de Joyce Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exposi\u00e7\u00e3o tem origem simb\u00f3lica na Bageira, \u00e1rvore que marcou o imagin\u00e1rio de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed. Localizada na regi\u00e3o central da cidade, pr\u00f3xima \u00e0 igreja matriz, ela foi abatida em 1956, mas continuou presente nas hist\u00f3rias, lembran\u00e7as e refer\u00eancias dos moradores. No projeto, Joyce fabula um novo destino para essa \u00e1rvore: ao morrer, ela teria virado canoa para tocar o rio Sapuca\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cBageira representa justamente a perman\u00eancia intang\u00edvel da hist\u00f3ria e da mem\u00f3ria, ela guarda o imagin\u00e1rio regional de uma comunidade sobre o seu territ\u00f3rio\u201d, afirma a artista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Joyce, a Bageira funciona como corpo narrativo, imagem de continuidade e m\u00e9todo de cria\u00e7\u00e3o. Assim como a \u00e1rvore muda de forma sem desaparecer, o projeto prop\u00f5e transforma\u00e7\u00f5es entre hist\u00f3ria e fabula\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rio e linguagem, mem\u00f3ria e cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNesse sentido, a Bageira n\u00e3o \u00e9 apenas um elemento do passado, mas um corpo que continua operando no presente como narrativa, como refer\u00eancia e como forma de pertencimento\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nasce do territ\u00f3rio. Sapuca\u00ed, palavra de origem tupi-guarani, pode ser traduzida como <em>\u201crio que grita\u201d<\/em>&nbsp;ou <em>\u201crio que canta\u201d<\/em>, em refer\u00eancia aos sons produzidos pelas cumbucas da \u00e1rvore sapucaia ao ca\u00edrem na \u00e1gua. Essa imagem conduz parte da mostra, associando o rio \u00e0s ideias de movimento, percurso, fronteira e retorno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O causo como forma de conhecimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Rio Que Grita<\/em>, Joyce Ribeiro parte dos causos caipiras, mitos, lendas, boatos e hist\u00f3rias de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed para criar aproxima\u00e7\u00f5es entre arte contempor\u00e2nea e historiografia. Formada em Hist\u00f3ria pela UEMG e p\u00f3s-graduada em Hist\u00f3ria, Sociedade e Cultura pela PUC-SP, a artista investiga aquilo que a hist\u00f3ria oficial muitas vezes n\u00e3o alcan\u00e7a: viv\u00eancias, afetos, conflitos, cren\u00e7as, estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia e modos de perceber o mundo transmitidos pela oralidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs narrativas presentes nos causos caipiras carregam camadas de experi\u00eancia que muitas vezes escapam \u00e0 historiografia oficial. Elas n\u00e3o est\u00e3o comprometidas com uma linearidade ou com a valida\u00e7\u00e3o institucional dos fatos, mas com a transmiss\u00e3o de viv\u00eancias, afetos, tens\u00f5es e formas de perceber o mundo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas hist\u00f3rias, segundo Joyce, revelam formas de exist\u00eancia que sustentam a vida em comunidade: rela\u00e7\u00f5es de trabalho, conflitos, viol\u00eancias silenciosas, estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia, cren\u00e7as e imagin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/profissaohoteleiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-2-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3817\" style=\"width:445px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">FOTO: Acervo pessoal de Joyce Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMe interessa construir pontes n\u00e3o para traduzir essas narrativas ao modelo oficial, mas para tension\u00e1-lo, reconhecendo nos causos caipiras uma forma leg\u00edtima de produzir hist\u00f3ria\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o arquiteto, artista visual e diretor do MARP &#8211; Museu de Arte de Ribeir\u00e3o Preto, Nilton Campos, curador da exposi\u00e7\u00e3o, o trabalho de Joyce se insere em uma discuss\u00e3o pr\u00f3pria da arte contempor\u00e2nea, ao olhar para a realidade, a rotina e os modos de vida que formam uma comunidade. \u201cA arte contempor\u00e2nea tem, em sua ess\u00eancia, a proposta de discutir a pr\u00f3pria realidade e o cotidiano em que vivemos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O curador, destaca que, ao trazer mem\u00f3rias, encontros e hist\u00f3rias contadas pelos pr\u00f3prios participantes, o projeto faz emergir o universo caipira e a mem\u00f3ria oral como mat\u00e9ria art\u00edstica. \u201cEssas hist\u00f3rias tamb\u00e9m se transformam de acordo com quem as conta. \u00c9 muito interessante observar tudo isso mesclado\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, nesse sentido, vai al\u00e9m do tema. Ela estrutura o modo como as obras existem, circulam e se transformam. Cada relato muda conforme quem conta, onde conta e para quem conta. \u00c9 nessa varia\u00e7\u00e3o que Joyce aproxima a oralidade das pr\u00e1ticas da arte contempor\u00e2nea e desloca a ideia de obra como algo fixo ou encerrado em um objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A cidade como parte da obra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os trabalhos de <em>Rio Que Grita<\/em>&nbsp;nascem de encontros. No Lago Piscina, antigo local de minera\u00e7\u00e3o transformado em parque e marcado por hist\u00f3rias de afogamento, Joyce realizou a a\u00e7\u00e3o <em>Profundo<\/em>, depositando uma boia de mergulho no lago. Moradores que inicialmente estranhavam sua presen\u00e7a passaram a acompanhar o processo, disponibilizaram um barco, ensinaram a artista a remar, ajudaram na grava\u00e7\u00e3o e permaneceram no local at\u00e9 o fim da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outro trabalho, Joyce fez um trato com o caminhoneiro Reinaldo Massei, conhecido como Sr. Branco. Ele emprestou o para-barro do caminh\u00e3o para que a artista pintasse a frase <em>\u201cRio Que Grita\u201d<\/em>&nbsp;e comprometeu-se a contar, pelas estradas do pa\u00eds, que a frase se refere ao nome da cidade: Sapuca\u00ed, \u201crio que grita\u201d ou \u201crio que canta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNesse gesto, a obra deixa de estar restrita ao espa\u00e7o expositivo e passa a circular pelo mundo atrav\u00e9s da oralidade. A narrativa se desloca do objeto para o tr\u00e2nsito, do suporte f\u00edsico para a transmiss\u00e3o oral. O trabalho, nesse sentido, n\u00e3o termina na sua realiza\u00e7\u00e3o: ele se prolonga na fala de outras pessoas, em novos contextos, em poss\u00edveis recontagens\u201d, explica Joyce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nilton Campos, avalia que um dos pontos centrais de <em>Rio Que Grita <\/em>\u00e9 a forma como a exposi\u00e7\u00e3o ativa a cidade e suas rela\u00e7\u00f5es. \u201cO que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o na exposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 que a Joyce, ao fazer essa proposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica, ativa&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;a pr\u00f3pria cidade, fazendo com que os moradores repensem suas origens&nbsp;e &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;suas refer\u00eancias no espa\u00e7o urbano\u201d, afirma. Segundo ele, os lugares s\u00e3o importantes, mas a for\u00e7a do projeto est\u00e1 nas pessoas envolvidas. \u201cOs lugares s\u00e3o essenciais neste projeto, s\u00e3o diferentes pontos da cidade ativados pela exposi\u00e7\u00e3o. No entanto, s\u00e3o as pessoas envolvidas que ela mobiliza e com as quais dialoga em muitos desses espa\u00e7os, ativando-os de diferentes maneiras. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u00c9 bonita a rela\u00e7\u00e3o que Joyce estabelece com essas pessoas\u201d, diz. Enrico Rocha sintetiza essa din\u00e2mica no texto de apresenta\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o: \u201cA cidade participa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Joyce, os trabalhos n\u00e3o chegam prontos aos lugares. Eles se formam tamb\u00e9m a partir dos v\u00ednculos criados durante o processo. \u201cOs trabalhos foram desenvolvidos a partir de tratos e acordos com diferentes pessoas, o que faz com que a obra j\u00e1 aconte\u00e7a como resultado de uma constru\u00e7\u00e3o compartilhada. Nesse sentido, a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um momento de apresenta\u00e7\u00e3o, mas a continuidade desse processo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Arte contempor\u00e2nea a partir do interior<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/profissaohoteleiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3816\" style=\"width:369px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">FOto: Acervo pessoal de Joyce Ribeiro<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao ocupar diferentes pontos de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, a exposi\u00e7\u00e3o responde \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o dos circuitos culturais nas grandes cidades. A pesquisa parte da experi\u00eancia de perceber como o acesso \u00e0 arte contempor\u00e2nea, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e aos espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o permanece centralizado, produzindo desigualdade de acesso e de legitimidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A artista afirma o interior como territ\u00f3rio de cultura, mem\u00f3ria, linguagem e pensamento. O Bageira nasce dessa perspectiva: reconhecer o que j\u00e1 existe no territ\u00f3rio e criar condi\u00e7\u00f5es para que essas hist\u00f3rias circulem de outros modos. \u201cBageira n\u00e3o \u00e9 sobre levar arte para o interior, mas afirmar que a arte j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 &#8211; e que ela pode ser um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo, de leitura de mundo e de inven\u00e7\u00e3o de outras possibilidades de exist\u00eancia que podem interessar a qualquer pessoa, de qualquer lugar\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Campos, a rela\u00e7\u00e3o entre obra, cidade e p\u00fablico forma uma das bases da exposi\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma simbiose de todos esses elementos. Afinal, a cidade \u00e9 constitu\u00edda pelas pessoas, e o trabalho de Joyce promove o reconhecimento de S\u00e3o Gon\u00e7alo por sua pr\u00f3pria comunidade\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O curador tamb\u00e9m destaca o papel da d\u00favida dentro do trabalho de Joyce. Ao reunir hist\u00f3rias ligadas \u00e0 cidade e fic\u00e7\u00f5es constru\u00eddas pela artista, a exposi\u00e7\u00e3o convida o p\u00fablico a refletir sobre mem\u00f3ria, pertencimento e imagina\u00e7\u00e3o. \u201cEssa d\u00favida desempenha um papel muito importante na reflex\u00e3o das pessoas sobre tudo isso\u201d, diz o curador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Programa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exposi\u00e7\u00e3o <em>Rio Que Grita<\/em>&nbsp;poder\u00e1 ser visitada de 11 de julho a 9 de agosto de 2026, em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, Minas Gerais. Al\u00e9m da exposi\u00e7\u00e3o, o projeto prev\u00ea a\u00e7\u00f5es educativas e atividades complementares, entre elas duas oficinas de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias e cer\u00e2mica, uma roda de conversa, quatro ativa\u00e7\u00f5es de percurso com deslocamento de van e tr\u00eas ativa\u00e7\u00f5es de percurso a p\u00e9. As a\u00e7\u00f5es ter\u00e3o classifica\u00e7\u00e3o livre e previs\u00e3o de p\u00fablico aproximado de 20 pessoas por atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m ser\u00e3o produzidos mapas interativos, distribu\u00eddos gratuitamente nos espa\u00e7os expositivos, bibliotecas p\u00fablicas e escolas, para orientar o p\u00fablico na realiza\u00e7\u00e3o dos percursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre Joyce Ribeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Joyce Ribeiro \u00e9 artista, educadora e historiadora. Natural de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, Minas Gerais, vive e trabalha entre S\u00e3o Paulo e Minas Gerais desde 2014. \u00c9 formada em Hist\u00f3ria pela UEMG e p\u00f3s-graduada em Hist\u00f3ria, Sociedade e Cultura pela PUC-SP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua pesquisa investiga a constru\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio cultural caipira, as conta\u00e7\u00f5es de causos de tradi\u00e7\u00e3o oral e suas rela\u00e7\u00f5es com a escrita historiogr\u00e1fica. Em seus trabalhos, articula mem\u00f3ria, fic\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rio, oralidade e arte contempor\u00e2nea, criando proposi\u00e7\u00f5es em fotografia, v\u00eddeo, objeto, cer\u00e2mica, escrita, a\u00e7\u00e3o e conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre seus trabalhos recentes est\u00e3o <em>Conversas de Bageira<\/em>, apresentado na Move Arte, em S\u00e3o Paulo; a resid\u00eancia art\u00edstica <em>Ouro Preto Inevit\u00e1vel<\/em>, no Instituto de Arte Contempor\u00e2nea de Ouro Preto; a exposi\u00e7\u00e3o <em>Afei\u00e7oar-se<\/em>, com curadoria de Nilton Campos, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro; e participa\u00e7\u00e3o na <em>POSVERSO<\/em>&nbsp;\u2014 Bienal Internacional de Poes\u00eda Experimental da Argentina. Em 2025, recebeu o pr\u00eamio do Edital Saberes Gerais, da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, por meio da Funda\u00e7\u00e3o de Arte de Ouro Preto, em reconhecimento \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o nas artes visuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Editais que est\u00e3o financiando o projeto:<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2026 &#8211; Edital de Chamamento P\u00fablico n\u00ba 01\/2026 \u2013 Sele\u00e7\u00e3o de projetos para recebimento de bolsas culturais de promo\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o, resid\u00eancia e interc\u00e2mbio cultural com recursos da Pol\u00edtica Nacional Aldir Blanc de Fomento \u00e0 Cultura \u2013 PNAB (Lei n\u00ba 14.399\/2022) &#8211; Governo Federal, Minist\u00e9rio da Cultura<br>Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e<br>Subsecretaria de Cultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2026 &#8211; Edital de Chamamento P\u00fablico n\u00ba 002\/2026 \u2013 Projetos Culturais \u2013 Sele\u00e7\u00e3o de projetos para firmar termo de execu\u00e7\u00e3o cultural com recursos da Pol\u00edtica Nacional Aldir Blanc de Fomento \u00e0 Cultura \u2013 PNAB (Lei n\u00ba 14.399\/2022) &#8211; Secretaria de Cultura de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto tamb\u00e9m conta com o patroc\u00ednio da EBM Cont\u00e1bil, empresa com sede em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Servi\u00e7o<br>Exposi\u00e7\u00e3o: Rio Que Grita | Projeto: Bageira<br>Artista:<\/strong>&nbsp;Joyce Ribeiro<strong><br>Curador:<\/strong>&nbsp;Nilton Campos<strong><br>Abertura:<\/strong>&nbsp;11 de julho de 2026<strong><br>Hor\u00e1rio da abertura:<\/strong>&nbsp;10h \u00e0s 13h<strong><br>Per\u00edodo:<\/strong>&nbsp;11 de julho a 9 de agosto de 2026<strong><br>Local:<\/strong>&nbsp;S\u00e3o Gon\u00e7alo do Sapuca\u00ed, Minas Gerais &nbsp;<strong><br>Atividades:<\/strong>&nbsp;exposi\u00e7\u00e3o, oficinas, roda de conversa, ativa\u00e7\u00f5es de percurso, media\u00e7\u00e3o cultural e mapas interativos<strong><br>Classifica\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;livre<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Joyce Ribeiro por Paulo libanio Em 2020, Joyce Ribeiro estendeu uma faixa em uma rua de S\u00e3o Gon\u00e7alo do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1541,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,11],"tags":[],"class_list":["post-1540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-variedades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1540"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1542,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1540\/revisions\/1542"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/g100.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}